A Amanda perdeu o bebê, Bruno! Ela teve um aborto
espontâneo, já que era uma gravidez recente... Eu sinto muito, Bruno! – o
médico disse vendo a decepção no meu olhar.
Não consegui ter nenhuma reação, nem de tristeza, nem
de nada. Fiquei ali parado olhando pro nada.
Posso vê-la? – perguntei ao médico.
Sim, ela está dormindo, tomou alguns sedativos caso
sentisse alguma dor! Ela ainda não sabe sobre o bebê! – ele falou. – Vamos, vou
te levar até ela.
Me levantei e senti meu estomago doer, eu estava
rezando pra que Amanda não acordasse naquela hora, eu não ia conseguir
encará-la.
Entrei naquele quarto e senti aquele cheiro de
medicação.
Bruno, você pode ficar aqui por vinte minutos, ok? – o
médico falou e eu assenti.
Ele saiu e eu finalmente olhei pra Amanda, e não pude
evitar as lágrimas que surgiram em meus olhos.
Ela estava ali deitada, naquela cama de hospital,
debilitada, com algumas escoriações nos braços e perto do rosto, tão pálida,
tão frágil.
Engoli o choro e cheguei perto dela, segurei em sua mão
pequena, ela estava tão gelada. Sua outra mão estava em cima de sua barriga.
Mais duas lágrimas rolaram dos meus olhos.
Nunca pensei que já pudesse amar um ser tão pequeno, do
tamanho de um grão de arroz. Tudo era muito estranho ainda pra mim. Nem pude
curtir a ideia de ser pai. Tudo durou menos de vinte e quatro horas.
E como seria na hora de contar pra Amanda? Como ela
iria reagir? Não sei se eu teria estrutura pra contar.
Dei um selinho nela e fiquei ali por mais algum tempo
admirando aqueles traços perfeitos, daquela mulher que eu tanto amava, e que
agora, eu teria que ser forte por mim e por ela.
A enfermeira entrou no quarto e pediu pra que eu me
retirasse, pois os vinte minutos já haviam passado fazia tempo.
Eu saí e fui em direção a entrada do hospital.
Contei a Phil, Carol e Ryan o que tinha acontecido, e
eles ficaram chocados.
Vamos pra sua
casa! – Ryan disse e eu nem contestei.
Seguimos pra minha casa.
Quando chegamos, Carol disse que ia fazer o jantar e
Phil e Ryan foram ajudar.
Vou tomar banho, gente! Daqui a pouco eu desço! – falei
e subi pro meu quarto.
Quando abri a porta o cheiro da Amanda invadiu minhas
narinas e eu senti meus olhos arderem.
Nada naquela casa era igual sem aquela mulher, não
tinha aquele sorriso, aquela luz, aquele meiguice e inocência que me encantavam
nela.
Me joguei na cama e não pude evitar o choro que estava
preso na minha garganta há horas!
Meu coração doía, minha alma estava doendo. Que droga!!
Se eu tivesse levado ela, nada disso teria acontecido, e agora estaríamos aqui
juntos, vendo TV ou saindo pra jantar.
Chorei até não poder mais, liberando toda dor que
estava dentro de mim.
Geralmente eu não chorava a toa, nem me emocionava.
Minhas emoções eu demonstrava de outra forma.
Peguei o pijama dela que estava dobrado em cima do
travesseiro e coloquei embaixo da minha cabeça, e fiquei ali deitado,
quietinho.
Senti uma mão em meu ombro e olhei pra ver quem era.
Ryan.
Ei Brunz, não fica assim, cara! Tudo vai ficar bem! –
ele disse apertando meu ombro.
Eu assenti e mais lágrimas rolaram dos meus olhos, eu
não podia evitar.
Ela vai melhorar, você vai ver! – ele disse.
Ela tava grávida! – eu disse entre soluços e senti ele
ficar tenso.
Estava o que, Bruno? – ele perguntou, assustado.
Grávida! Descobrimos ontem e íamos contar pra vocês no
final de semana, mas não deu tempo. – eu disse desabando outra vez.
Não acredito! – ele disse, e eu pude sentir o choque em
sua voz. – Sinto muito cara, sei o quanto isso é importante pra você! – ele me
abraçou.
Eu e Ryan éramos amigos desde pequenos, éramos como
irmãos, brigávamos, nos divertíamos e ele sempre esteve comigo nos piores e nos
melhores momentos, e hoje não estava sendo diferente.
Bom, se você quiser, deixamos o jantar pronto e vamos
embora! – ele disse.
Não, tá tudo bem! Preciso me distrair um pouco, vou
comer com vocês! – eu disse, limpando as lágrimas. – Só vou lavar meu rosto e
já desço.
Ele levantou da minha cama e foi em direção a porta.
Ei Ryan! – eu chamei. – Obrigado!
Ele me deu um sorriso e saiu.
Aproveitei pra tomar um banho, e logo desci.
meu caramba eu tinha gostado da ideia de entra um bebe nao historia a agora esto triste nao tem mais bebe
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