Ah, não, era só isso que me faltava, acabar a luz e eu
ficar no completo escuro com o Bruno, senti que ele levantou e foi correndo até
a janela.
Parece que foi geral, Mandica. – já disse que amo
quando ele fala meu nome com sotaque? – A cidade está toda apagada.
Sério? – me lembrei dos meninos e fiquei preocupada. –
E os meninos?
Vou ligar pro Phil, espera aí. – ele saiu tateando pelo
quarto para achar o celular e eu me encolhi na cama, não gostava do escuro. –
Alô, Phil, onde vocês estão?... Ah, tá...Ok, to no hotel! Tchau.
O que houve? – eu perguntei.
Eles vão esperar um pouco por lá, e depois vem embora.
– ele disse deitando de novo na cama. – Vamos ter que esperar agora! O que
vamos fazer??
Cantar. – e ele riu. – Não cansa de me ouvir cantar,
não?
Claro que não, adoro a sua voz, você sabe. – eu
respondi.
Escolhe uma música que eu canto, vai. – ele disse
Acho que nunca te disse qual eu mais gosto de ver você
cantar não é? Our First Time. – eu disse e senti minhas bochechas queimarem
muito, ainda bem que tava tudo apagado.
Eu ouvi a risada alta dele, e sorri também. Ele começou
a cantar e eu me derreti toda, então senti ele me puxando contra o peito dele,
e começando um carinho gostoso na minha cabeça, e acho que quase desmaiei com
aquele perfume.
E aí, gostou? – e eu somente balancei a cabeça. – Tá
com sono?
Não, é que não gosto de escuro, parece que to cega. –
eu disse. Me conta sobre a Chanel?
O que? – ele disse assustado.
É, você me prometeu semana passada que ia contar, conta
vai? – fiz uma voz manhosa e ele riu.
O que você quer saber? – ele disse, engolindo a saliva.
Tudo. – eu disse, já esperando o que estava por vir.
Então, conheci a Chanel muito antes da fama, mas eu já
morava aqui em L.A, no inicio fomos muito amigos, muito mesmo, tipo eu e você,
eu confidenciava coisas a ela, a gente sempre tava junto, ela frequentava a
minha casa, conhecia a minha família, enfim, tudo mesmo, e daí surgiu um
interesse, e eu não sei de onde, da parte dela, e começamos a ficar, pouco
tempo depois a namorar, e ela esteve comigo em todos os momentos, bons e ruins,
ela foi minha parceirona, me ouviu, me entendeu, me suportou, me levantou, caiu
comigo, enfim, ela foi tudo o que o uma mulher pode ser pra um homem, e quando
escrevi aquela dedicatória pra ela no meu CD, eu não estava mentindo, ela
realmente conhecia todos os meus lados, mas isso não foi o suficiente, faltava
uma coisa. – Ele disse, meio que se culpando.
O que? – eu perguntei curiosa.
Eu não a amava. – e eu senti a dor na voz dele. – Nunca
consegui, tentei por todo o tempo em que estive com ela, nunca a traí, porque a
respeitava muito, tinha um carinho imenso e é óbvio que existia química, aquela
coisa de pele, mas amor, aquele amor que eu falo nas musicas? Não isso não
existia, e eu me culpei muito por isso.
Ok, eu acho que eu queria chorar, porque senti minha
garganta se fechando, e os meus olhos meio molhados, ele se culpava por não ter
amado a Chanel?
E a Rita? Onde ela entra? – eu perguntei, um pouco
curiosa demais.
A Rita era namorada de um amigo meu, e eles estavam
passando por uma crise! Nessa época eu já estava fazendo sucesso, tinha acabado
de lançar o CD, e viajava pra todo lado, e a Chanel sempre queria vir comigo,
mas ela também tinha as coisas dela, sem contar no assédio, e eu queria
proteger ela disso tudo. – ele disse. – Um dia Rita brigou com o Joe, e estava
desesperada e eu estava saindo do estúdio pra ir pro aeroporto, e ela me ligou,
desesperada, dizendo que se eu não a levasse comigo, ia fazer uma besteira, e
aí não teve jeito, eu fiquei assustado com a forma em que ela estava, e levei
ela comigo, enfim, a Chanel descobriu e nosso relacionamento só durou mais uns
quatro meses... – ele parou, suspirou e continuou – Mas acho que foi melhor
assim!
Eu suspirei e não sabia o que falar, não mesmo, ele foi
tão...Sincero!
E aí, o que achou? – ele me perguntou, continuando com
aquele carinho gostoso no meu cabelo.
Achei, legal! A sua sinceridade, o seu respeito pela
Chanel. – eu disse.
Hum... – vi a luz do celular dele acesa – Já são quase
três da manhã, e eu to com sono. – ele falou aquilo rindo.
Bom, então vou pro meu quarto. – eu disse já me
levantando, e senti aquela mão pequena se fechar no meu braço. – O que foi?
Não vai não, tenho medo do escuro! – ele falou com voz
de bebê e eu ri alto. – É sério, Amanda, fica aqui.
Bruno, você tá louco? As pessoas... – eu disse e ele me
interrompeu.
As pessoas sempre vão falar, Amanda. E isso é um fato,
mas nós dois sabemos o que está acontecendo aqui, e eu também não quero que
você desça pelas escadas nessa escuridão. – ele disse.
Mas o Dre desce comigo! – eu falei.
Não, o Dre já tá dormindo, e tá decidido, você fica
aqui. – Ele disse autoritário e eu ri.
Tá bom, Mars, eu fico! – eu me ajeitei melhor na cama.
– E você, não vai deitar?
Vou ao banheiro, fica a vontade que eu já volto. – e
saiu do quarto.
Ok, se a Carol souber disso vai ficar louca, e a Lu
então? É capaz de vir do Brasil até aqui só pra me dar um beijo na boca.
HAHAHAHAHA, eu to rindo é de nervoso, tudo bem que somos amigos e tal, mas
dormir na mesma cama é um pouco demais, pelo menos eu acho, até porque...Deixa
pra lá, vou dormir que é melhor. Virei pro outro lado e capotei.
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