Eu estava morando com Bruno já haviam cinco meses. E
até algum tempo atrás estava tudo perfeito, pelo menos eu achava que estava.
Com o tempo as coisas começaram a ficar, como posso
dizer? Estranhas.
Bruno mal parava em casa, no inicio ele sempre insistia
pra que eu saísse com ele, mas festas e badalações nunca foram a minha cara, eu
ia pra acompanhá-lo, mas já tava de saco cheio. E foi quando ele começou a me
deixar em casa, no inicio eu sempre ia visitar a Carol, ou passar umas horas
com a Urbana, mas nem isso mais me fazia bem. Sem contar que a atenção que o
Bruno me devotava não era mais a mesma. Mal nos falávamos, mal nos beijávamos,
mal nos olhávamos, e aquilo estava me machucando. Mas como sempre eu sofria
calada, nunca gostei de ficar gritando aos quatro ventos o que acontecia
comigo.
Era mais um daqueles sábados torturantes, acordei e
senti um peso a mais na cama, Bruno estava ali. Que milagre havia acontecido?
Me mexi um pouco e o vi abrir os olhos, dei um sorriso
meio torto e ele sorriu abertamente pra mim.
Bom dia, amor! – ele disse tão naturalmente, que
desejei voltar no tempo e ter aquele Bruno de sempre.
Bom dia! – dei um selinho nele e levantei da cama.
Onde vai? – ele perguntou.
Vou preparar o café! – respondi e ele me olhou de cima
abaixo.
Fica aqui comigo, vou passar o dia todo com você, hoje
eu não preciso ir pro estúdio! – ele falou e eu quase mordi a língua.
Mas a noite você vai sair? – perguntei ironicamente e
ele franziu o cenho.
Acho que não, Amanda! – ele respondeu e abriu os
braços, pra eu me deitar novamente com ele.
Me aconcheguei no peito dele, e pude sentir aquele
cheiro que eu tanto amava, aqueles braços que eu tanto amava, me segurando com
firmeza, e senti meus olhos marejarem. Eu sabia que daqui a algumas horas alguém
ia ligar e quebrar todo aquele encanto do momento que eu estava tendo com o
Bruno.
Tava com saudade! – eu disse involuntariamente.
Eu também! – ele disse beijando o meu cabelo e me
apertando ainda mais. – Desculpa por esses dias eu estar tão ausente!
Tudo bem! – eu disse, mas eu sabia que não estava tudo
bem.
O dia transcorreu normalmente, Bruno e eu ficamos a
maior parte do tempo na piscina, mas parecia que não tínhamos mais assunto,
sabe? Ele me olhava, chegava perto de mim, mas eu estava magoada e com isso
acabava me afastando dele.
Ele percebeu.
Aconteceu alguma coisa, Amanda? – ele perguntou
sentando ao meu lado no chão.
Não! – menti.
Você tá mentindo! – ele disse e meu deu um sorriso
reprovador.
Como você sabe? – perguntei.
Porque você sempre olha nos meus olhos, e agora não tá
olhando. – ele falou tão naturalmente que me assustei.
Alguma coisa que eu possa fazer por você? – ele estava
falando de um jeito engraçado.
Não, quer dizer, sim! – falei e ele me olhou
atentamente. – Cozinha pra mim?
O que? – ele disse arregalando os olhos.
Por favor? – fiz manha e é claro que ele concordou.
O que você quer comer? - ele perguntou.
Adivinha? – ele fez cara de duvida e eu ri. – Sushi do
Bruno!
Ele gargalhou e lá fomos nós pra cozinha.
No final, nem preciso dizer onde acabamos né?
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