domingo, 29 de abril de 2012

CAPITULO 62


Onde ela está? – eu já atendi desesperado e ouvi a risada dele.
Ela tá chegando com a Carol, pelo portão principal, eu to saindo de casa ainda! Vai dar tempo, relaxa, man! – ele disse e eu desliguei na cara dele.
Minhas mãos estavam suando e tremendo, faziam mais de quatro meses que eu não a via, e não ia fácil, não mesmo! Eu tava parecendo com uma menina de doze anos!
Fui pro saguão do aeroporto e fiquei ali, sentado, de cabeça baixa e com meu boné. Acho que ninguém ia me reconhecer aquela hora da manhã.
Não demorou muito e escutei a gargalhada escandalosa da Carol e levantei a minha cabeça...
O QUE ERA AQUILO?

NARRAÇÃO AMANDA:
O QUE O BRUNO TÁ FAZENDO AQUI?
Eu olhei desesperada pra Carol e pro Ryan!
Não acredito que Ryan fez aquilo comigo!
Bruno estava ali, parado, em pé, me olhando com aqueles olhos arregalados.
O que eu ia fazer? O que eu ia falar?
Não tive tempo pra pensar em mais nada, só pra sentir as duas mãos do Bruno em cima da minha barriga, e as lágrimas escorreram dos meus olhos.
O que é isso, Amanda? – pude ouvir ele perguntar com a voz embargada. – Porque você não me contou?
Eu fechei os olhos e respirei fundo.
Bruno... – eu tentei dizer.
Amanda, você está esperando um filho meu, e não ia me contar? – ele disse decepcionado.
Bruno, calma! – Carol disse. – Ela não pode ficar nervosa!
Ok! – ele disse de um jeito calmo demais. – Você não vai embarcar! – ele disse e eu arregalei os olhos.
Como assim, não vou embarcar? Eu tenho que ir embora! – eu falei alto.
Não tem não, você tem que me explicar tudo, por favor Amanda! – ele disse e eu estremeci com aquela voz.
Respirei fundo e olhei pra Carol e pro Ryan, que estava até suando de tanto medo.
E a reação do Bruno não foi tão ruim quanto eu imaginava. Pelo menos até agora!
DROGA! Eu não ia poder embarcar mesmo, era capaz dele colocar o FBI atrás de mim, então o jeito era voltar pra trás e encarar aqueles malditos olhos.
Tudo bem, mas só vamos conversar hein? Já perdi o voo mesmo! – eu falei revirando os olhos.
Amiga, vou embora então, porque tenho que trabalhar, você vai ficar bem? – ela perguntou se referindo ao Bruno.
Claro, fica tranquila, depois eu te ligo! – eu disse dando um beijo no rosto dela.
Tchau Mandica! – Ryan me disse.
Tchau, traidor! – eu falei e ele arregalou os olhos.
Bruno pegou todas as minhas malas e foi em direção ao carro dele, sem darmos uma única palavra. Ele estava estranho, com olheiras, triste, mais magro!
Também, quem aguentava aquela vida de badalação dele? Tinha que estar assim mesmo.
Vamos conversar em casa, ok? – ele disse me tirando dos meus pensamentos.
Somente assenti, não tinha mais o que fazer!
Logo chegamos a casa dele, e então eu me lembrei que eu já havia entregado o apartamento que eu tava hospedada, e agora?
Entramos, e nada havia mudado por ali, achei que eu ia encontrar calcinhas pelo chão e perfume de mulher vagabunda pra todo lado, mas só encontrei o MEU perfume.
Bruno colocou as coisas dele na mesa da sala, tirou o tênis e sentou em posição de índio no sofá e ficou me olhando, e eu não sabia o que fazer.
Em um ano tanta coisa aconteceu nas nossas vidas, mas com certeza a minha filha era a melhor, e nada e nem ninguém ia estragar esse momento mágico que eu estou vivendo.
Estou esperando, Amanda! – ele disse num tom sério e eu estremeci.

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