Os dias que vieram foram os melhores da minha vida,
nunca pensei que Bruno pudesse ser aquele tipo de namorado, que abre a porta do
carro, cuida, se preocupa, dá carinho, dá amor. O nosso único medo era da
imprensa, que depois daquelas fotos que vazaram não nos deixaram em paz, mas
Bruno é mais ligeiro do que se pensa e sempre consegue se sair bem nas
declarações.
Tínhamos acabado de chegar no Brasil, e eu estava louca
pra ver minha família e a Carol, quinze dias que eu não a vejo e tanta coisa
aconteceu. Ela não sabe dos detalhes ainda, mas a curiosidade deve estar
corroendo ela.
A nossa entrada no Brasil foi uma loucura, eu não sabia
que Bruno era tão amado ali, tinha muita gente no aeroporto, os gritos eram
ensurdecedores, meninas chorando e gritando pelo nome dele, saímos pela saída
de emergência do aeroporto, e ele somente sorria, nunca o vi tão feliz.
Já estávamos no hotel em São Paulo e os gritos lá fora
continuavam, estávamos almoçando no restaurante de lá mesmo.
Acho que aqui vocês dois precisam ser muito cuidadosos.
– Ryan disse olhando pra mim e Bruno.
Como se não fossemos! – eu disse e ele me olhou.
Vocês são, mas aqui a coisa é mais louca, entendem? –
eu assenti.
Só porque queríamos conhecer seu país, Mandica? – Phil
disse.
Se você conseguir chegar na porta do hotel já vai ser
muita coisa. – eu disse e todos riram.
Vamos subir então, porque quero descansar! – Bruno
disse sério, se levantando e olhando pra mim. – Você vem comigo ou vai ficar
acreditando nas bobeiras do Ryan?
Vou terminar de comer e já subo! – eu disse com os
olhos arregalados e ele saiu acompanhado por Dre.
O que raios aconteceu com o Bruno?
Terminei de comer e me desculpei com os meninos pela
reação dele e subi para o meu quarto. Tomei um banho, liguei pra minha irmã e
pra Carol pra avisar que já estava no Brasil e fui até o quarto do Bruno.
Entrei, pois eu tinha um dos cartões dele, e ele estava
deitado, só de bermuda e olhando pro teto.
Posso saber o que foi aquilo? – perguntei, séria até
demais.
Aquilo o que? – ele disse no mesmo tom que eu.
O que você fez na hora do almoço? Fiquei sem graça! –
eu disse sentando do lado dele.
Ah, o Ryan se mete demais entre a gente, ele acha que
somos o que? Bebês? Nunca vazou, não vai ser agora que vai vazar! E se ficarem
sabendo também, foda-se, não quero saber, a vida é minha e sua e não dele! Ele
não é pago pra isso. – Bruno estava desabafando e eu o deixei falar.
Tá mais calmo? – perguntei carinhosa e ele me olhou com
cara de bebê.
Não to nervoso com você, me desculpa? – ele disse
pegando a minha mão e beijando-a. – É que o Ryan anda falando demais, só isso!
Deitei ao lado dele e me aconcheguei no seu peito e ele
começou um carinho gostoso nas minhas costas.
Bruno, ele é seu assistente pessoal, ele está aqui pra
isso, acho que você foi rude com ele. – eu disse e Bruno bufou.
Amanda, você é ingênua demais, Ryan não é um santo!
Tenho certeza que... – ele parou de falar e eu olhei naqueles olhos enormes que
eu tanto amava.
Tem certeza do que? – perguntei.
Acho que ele, não sei, já foi afim de você! – eu ri. –
É sério, lembra que ele vivia te paparicando e sempre falava coisas de você, e
agora vive se incomodando com a gente! – ele falou aquilo fazendo beicinho.
Ah, pequeno! – eu disse, beijando o rosto dele. – Não
tem nada haver, pára com isso vai! Tá com ciúme do Ryan agora?
Não é ciúme, é precaução! O Ryan é um cara bonitão, e é
mais alto do que eu! – ele disse arregalando os olhos e eu não pude evitar uma
gargalhada.
Bruno, menos! – eu disse recuperando o ar e ele riu. –
Você pode ser baixinho e ter os olhos mais enormes desse mundo, mas eu te amo,
e sou sua, só sua! – eu disse olhando nos olhos dele.
Obrigado pelos, se é que posso considerar, elogios! –
ele disse e eu o belisquei.
Ficamos ali namorando por algum tempo, até que eu me
lembrei de algo.
Preciso falar com você, já tinha esquecido. – falei e
ele me olhou.
O que houve, amor? – Já disse que amo quando ele me
chama de amor?
É que liguei pra minha irmã e pra Carol, e elas querem
muito me ver, e queria saber se elas podem vir até o hotel, lá no meu quarto,
vai ser rápido, prometo! – eu disse.
Amanda, você nem deveria cogitar me perguntar isso! –
eu arregalei os olhos e ele riu. – É claro que sim, assim já mato as saudades
da Carol e conheço minha cunhada brasileira. – eu o abracei e enchi de beijos.
– Queria conhecer seus pais, mas acho que não vai dar tempo dessa vez. – ele
fez um bico.
É, meu pai está viajando e minha mãe trabalhando como
louca, não vai dar pra ela vir ao show amanhã, mas ela vai tentar ir pra
Florianópolis. – eu falei.
Aff, que nome grande, não consigo falar. - Ele falou. –
E você nem me deu aquelas aulas de português né?
Não tivemos tempo, mas prometo que hoje eu te ensino
algumas coisas. – eu falei.
Que horas elas vem? – ele perguntou.
Só estava esperando a sua resposta, vou ligar pra elas
virem. – falei.
Poucas horas depois, Dre bateu na porta e avisou ao
Bruno que as meninas haviam chegado.
Dre, nós vamos pro quarto da Amanda, que está mais
arrumado, busque as meninas lá embaixo e suba com elas, ok? – Bruno disse a Dre
que assentiu.
Pegamos nossos celulares, e Bruno ainda foi passar
perfume, e corremos pro meu quarto aos risos. Acho que éramos o casal mais
feliz do mundo!
Logo Dre apareceu com as meninas e eu estava ansiosa e
morrendo de saudades da minha irmã. Fazia tanto tempo que não a via, éramos
melhores amigas do mundo, cúmplices, ela me conhecia pelo olhar, pelo jeito de
falar.
Fui abrir a porta e já fui puxada por dois braços em
cima de mim, e por uma voz chorosa.
FILHA DA PUTA, TE AMO TANTO. – É, essa é minha irmã
Luiza.
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