Mais alguns dias se passaram.
Eu e Bruno estávamos tomando café da manhã juntos e
conversando.
Hoje, assim que eu sair do estúdio, venho pra cá! – ele
disse com um sorriso malicioso.
Eu ri.
Você lembra? – perguntei.
Claro! – ele disse sorrindo. – Feliz dez meses! – e me
deu um selinho.
Vou fazer um jantar pra nós, o que você acha? –
perguntei animada.
Ótimo! Chego antes das nove ok? – ele disse levantando
e roubando um pedaço do croissant que eu estava comendo, me dando um beijo e saindo
correndo porta afora.
Passei o dia fazendo compras com a Carol, fomos ao
shopping, ao supermercado e até a farmácia.
Ela me ajudou com o jantar e com a minha produção, e
foi embora quase oito e meia.
Eu ainda terminei de fazer algumas coisas e fiquei
esperando ele chegar.
Nove horas. Nada!
Nove e meia...
Dez e meia...
Onze horas. E
nenhuma ligação.
Juro que eu não vou chorar, prefiro acreditar que ele
ainda está no estúdio trabalhando, ou aconteceu algo mais importante.
Quase meia noite e eu decidi ligar no celular do Phil,
não quero nem saber...
Chamou, chamou, chamou.
Alô? – ouvi a voz rouca do Phil e constatei que ele já
devia estar dormindo.
Oi Phil, desculpa ligar essa hora! – eu disse sem
graça.
Tudo bem, Mandica, o que houve? – ele perguntou, mas
tenho certeza que ele devia saber a resposta.
Você sabe algo sobre o Bruno? Ele ainda não chegou e eu
to preocupada! – menti.
Phil suspirou alto e meu coração apertou.
Não acredito que ele ainda não chegou, Amanda! Ele saiu
do estúdio antes da gente, acho que não eram nem oito horas. – Phil disse
aquilo e eu já senti as lágrimas se formarem nos meus olhos.
Ok, Phil! Obrigada! – eu disse, desligando o telefone.
Não consegui evitar as lágrimas que teimaram em cair,
Bruno havia prometido que ia chegar pra gente comemorar, mas parece que ele
havia esquecido ou que realmente tinha algo mais importante pra fazer.
Liguei pra Carol e contei a ela o que havia acontecido,
claro, ela ficou muito revoltada, xingou o Bruno de tudo quanto foi nome, e até
me fez rir um pouquinho.
Liguei no celular do Bruno, e... Caixa Postal! Será que
eu já imaginava?
Adormeci no sofá, e não sei exatamente quanto tempo
depois, escutei a chave girar na porta. Abri os olhos imediatamente, e vi Bruno
entrando na sala.
Ele tirou o chapéu e jogou em cima do sofá.
Que horas são, Bruno? – eu disse irônica.
NARRAÇÃO BRUNO MARS:
PUTAQUEPARIU!
A Amanda tava acordada e eu tava ferrado. E com razão.
Eu havia combinado com ela, mas os caras me chamaram pra uma cerveja, e uma
coisa leva a outra, quando eu vi a hora, já passavam das duas da manhã.
Na verdade eu não quis chegar cedo, porque eu não sei o
que está acontecendo entre eu e a Amanda. Não sei dizer o que está acontecendo
comigo pra ser mais claro.
Acho que nasci pra ser livre, não ter que dar satisfações
pra ninguém, entrar e sair da minha casa a hora em que eu quiser.
Mas a culpa disso tudo foi minha, quem convidou a
Amanda pra morar aqui fui eu, então não posso culpar ela. E vou ter que escutar
tudo calado.
Oi amor! – eu disse, já sabendo o que viria.
Amor? Bruno, você acha que eu sou o que? Alguma idiota
que fica esperando você pra jantar? – ela disse e eu vi as lágrimas se formarem
em seus olhos.
Amanda, deixa eu te explicar o que aconteceu. – eu
disse e ela levantou do sofá num pulo.
Explicar o que? Que você me deixou aqui plantada porque
tinha algo mais importante pra fazer? Agora me explica o porquê o seu celular
ficou desligado a noite toda, vai me dizer o que? Que acabou a bateria? – ela
estava tão irritada que até fiquei com medo. – Custava você ter ligado pra pelo
menos avisar que não viria?
Tentei chegar perto, mas ela me parou no meio do
caminho.
Não toca em mim, Bruno – ela disse furiosa. – Cansei
das suas desculpas, cansei de sempre estar sozinha, cansei da sua indiferença!
Acho que você nasceu pra ser solteiro e eu estou atrapalhando a sua vida. – Ela
disse aquilo e senti uma facada no peito.
Amanda, não fala uma coisa dessa, você não está
atrapalhando nada! – eu disse e ouvi os soluços que ela teimava em segurar. –
Eu te amo, Amanda!
Ela abriu bem os olhos e veio na minha direção.
Amor? Que amor é esse Bruno? – ela me perguntou e eu
abaixei a cabeça. – Que amor é esse que não telefona, não beija, não abraça,
não dá atenção? Que amor é esse que não pode fazer você deixar uma noitada com
seus amigos de lado? Isso pra mim não se chama amor. Amor pra mim é ser
companheiro, estar junto, ter confiança, cumplicidade e tudo isso nós tínhamos
quando começamos, mas parece que está tudo se perdendo. – ela disse aquilo e
agora eu senti as lágrimas virem aos meus olhos.
Amanda, me desculpa! Prometo que não vai mais
acontecer! – eu disse e ela abaixou o olhar.
Vamos dormir Bruno, amanhã conversamos sobre isso! –
ela virou as costas pra subir pro quarto. – Boa noite!
DROGA! PORQUE EU TENHO QUE SER TÃO IDIOTA ASSIM?
Comi algo rápido, tomei banho e fui deitar. Fiquei por
algum tempo observando Amanda dormir e pude perceber que a expressão dela era
de tristeza, e senti meu coração apertar com esse pensamento. Eu não queria
fazer ela sofrer, eu a amava.
Dormi olhando pra aquela garota que eu tanto amava, e
que sem querer eu estava fazendo sofrer.
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