Olá! – ele me disse sorrindo.
Oi! – eu disse sem graça.
Você faz compras? – ele falou e eu ri.
Claro! Também vou ao banheiro de vez em quando! – ele
gargalhou com isso. – Ah, desculpe por hoje de manhã, é que o Bruno é um pouco
protetor. – falei sem graça.
Não se preocupe, se eu tivesse uma namorada linda
assim, também ia proteger! – Ok, aquilo foi uma cantada ou um elogio?
Ah, obrigada! – Eu devia estar vermelha como há muito
tempo não ficava. – Você trabalha por aqui?
Sou arquiteto, fico até tarde no escritório, então saí
pra comprar umas besteiras. – ele disse.
Ah! – eu falei e fiquei sem assunto.
Ele também ficou calado, mas pude perceber que ele
estava me observando.
Passei minhas compras, me despedi dele e dessa vez com
um beijo no rosto e saí quase correndo.
Quando entrei no carro, vi que meu celular tinha 68
ligações perdidas, entre elas 60 do Bruno.
Respirei fundo e liguei pra ele.
ONDE VOCÊ ESTÁ COM O MEU CARRO, AMANDA! – ele falou tão
alto que quase fiquei surda.
No mercado! - eu falei, calma.
Posso saber porque você tem uma droga de um celular que
não atende? – ele falou, ele realmente tava bravo.
Esqueci no carro! – falei rápido. – Quer que eu vá te
buscar?
Não precisa, Ryan já me deixou em casa! Tchau! – e
desligou na minha cara.
É, hoje eu ia ter que amansar o leão!
Cheguei em casa e tudo estava apagado, coloquei as
compras no armário e subi pro quarto.
Bruno estava deitado na cama, coberto até o pescoço,
assistindo TV e com um bico enorme.
Sentei ao lado dele e dei um beijinho em sua testa, ele
só me olhou, com aquele olhar matador de quando ele tá bravo.
Brubs! – falei manhosa. – Me desculpa, mas é que você
me deixou brava de manhã.
Isso não justifica o que você fez, Amanda! Eu achei que
tivessem sequestrado você junto com meu carro! – ele disse dramático.
Bruno, não exagera – eu disse revirando os olhos.
É, sério! Eu fiquei preocupado! – ele já estava
cedendo.
Tá, eu não faço mais! – eu disse roçando os meus lábios
nos dele, sabia que ele adorava esse carinho.
E você me desculpa por hoje de manhã também? – ele fez
cara de cachorro molhado. – É que aquele cara é bonitão e ele te olha de um
jeito muito feliz.
Você não tem com o que se preocupar, ele só é uma
pessoa gentil, Bruno! Se quisesse dar em cima de mim, já teria dado,
oportunidade é o que não falta, ele está na Starbucks todos os dias! Ele nem
chega perto de mim, e ele admira o seu trabalho. – falei.
Ok, desculpa tá bom, prometo não fazer mais isso, e
quando vê-lo novamente vou me desculpar! – ele disse tão fofo, que eu ri.
Ficamos ali namorando um pouco e depois fomos dormir.
Algumas semanas se passaram e aquela tal Renata
continuava rondando o meu terreno, mas eu não havia dito mais nada, pois tinha
prometido ao Bruno que não ia mais incomodar a moça. E também porque ele não
tinha mais implicado com Sebastian. E por falar nele, descobri várias coisas
sobre ele. Vinte e oito anos, arquiteto, mora sozinho, solteiro, mas tem um
filho de três anos.
Agora nossas conversas estavam mais longas, ele já se
sentava comigo na mesa, descobrimos muitas coisas em comum.
Eu gostava muito de conversar com ele, afinal, meus
únicos amigos eram os meninos da banda, Urbana e Carol, mais ninguém e quando
eu morava no Brasil, tinha trocentos amigos.
Cheguei no estúdio e aquela vaca estava lá de novo, só
que dessa vez muito mais perto do Bruno do que o permitido.
Ele estava tocando violão em um dos pufes e ela estava
quase em cima dele.
Olhei bem pros dois e fiz uma cara de reprovação.
Oi amor! – ele disse inocente.
Oi, Amanda! – Renata disse com um sorriso cínico nos
lábios e aí eu explodi novamente.
Escuta aqui, Renata, não me entenda mal, mas você não
tem outra coisa pra fazer na sua vida a não ser viver enfiada aqui ou atrás do
Ryan? – eu falei e Bruno me comeu com o olhar.
Ela ficou sem graça, mas não perdeu a pose.
É que eu fico o dia todo sozinha em casa e aqui acabei
encontrando uma família, sabe? – ela disse e eu tive vontade de dar na cara
dela, de novo.
Ah, que bom! Então Bruno, faça o seguinte, coloque ela
de backing vocal da banda, porque eu to indo embora! – saí deixando Bruno
gritando meu nome.
Sei que fui infantil, mas aquilo já estava me
irritando, aquela garota era uma sonsa e só Bruno não havia percebido isso
ainda!
Sei que ele ia brigar feio comigo quando chegasse em
casa, mas eu não estava nem aí, não queria saber.
Cheguei em casa e fui fazer faxina, acredita que isso
me acalma? Muuito! Quando eu morava com a Carol ela morria de rir de mim por
causa disso.
Liguei o som no ultimo volume e fui limpar a casa, os
armários, tudo. Tava parecendo uma louca.
Estava terminando de limpar a cozinha e estava tocando
Our First Time, a minha preferida, e eu comecei a dançar ela sozinha, viajando.
Foi quando senti duas mãozinhas quentes na minha
cintura e AQUELA voz no meu ouvido.
Era ele.
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