Eu estava na casa do Bruno há quase dois meses. Nós
tínhamos ido ao Havaí, contamos tudo pra família dele, que ao contrário do que
eu pensei, ficaram extremamente felizes, me paparicaram e tudo o mais, e voltei
com mais uma mala de roupa pra minha filha.
Eu havia acabado de entrar no sétimo mês, e acho que
nunca havia sido tão paparicada na vida, tanto pelo Bruno, quanto pelos demais!
Minha família viria pra L.A depois que a bebê nascesse
pra nos visitar.
Eu e Bruno estávamos na mesma, ele tentava e eu
recuava, eu tava mostrando pra ele que nem tudo é do jeito que ele quer que
seja.
Com o tempo fiquei sabendo que ele saiu várias vezes
com aquela tal Renata, mas que nunca levou mulher alguma pra dentro da casa
dele, ali era como se fosse um santuário meu e dele, segundo o Phil.
Bruno passava a maioria das tardes comigo, conversava
mais com a minha barriga do que com qualquer outra pessoa.
Ainda não havíamos escolhido o nome dela, queríamos ver
a carinha juntos pra decidir.
A imprensa já sabia da minha gravidez e não deixava o
Bruno em paz, mas ele como sempre saía de todas as saias justas em que era
colocado.
Eu tinha medo das minhas reações perto do Bruno, mesmo
que não tivéssemos nada, era claro de ambas as partes que ainda existia algo
muito forte. Éramos conectados.
Acordei no meio da madrugada, acho que eram duas e meia
ainda, a bebê não parava de mexer e estava me incomodando, então fui até a
cozinha, peguei umas pedras de gelo e fui pra varanda.
Desde o inicio da gravidez eu chupava gelo porque
diminuía os enjoos, e não perdi a mania, acho que me acalmava, pela falta do
cigarro.
Estava distraída ali, olhando pro nada e pensando em um
monte de coisa.
Comecei a cantarolar uma canção qualquer e senti o
perfume inconfundível do Bruno.
Oi! – eu disse sorrindo.
Tá tudo bem? – ele perguntou coçando os olhos, com
sono.
Eu ri.
Tá sim, é que a bebê tava chutando muito e ficar
deitada tava me incomodando, daí vim aqui fora tomar um ar. – eu disse e ele
sentou do meu lado.
Ah, eu perdi o sono! – ele falou enrolando seus
cachinhos nos dedos.
Amanhã eu tenho médico! – eu disse, quebrando o
silencio que se instalara entre nós dois.
Eu vou te levar, já desmarquei meus compromissos pela
manhã! – ele disse e eu assenti. – O novo cd tá ficando foda! – ele disse tão
animado, que eu senti saudade de estar no estúdio com eles.
E sai quando? – eu perguntei e ele deu de ombros.
Quando estiver bom! – ele disse e eu revirei os olhos,
essa calma do Bruno me mata.
Continuei chupando gelo e ele ficou me olhando com uma
cara engraçada, como se eu estivesse cometendo algum crime.
O que foi? – eu perguntei.
Não faz mal pra bebê – ele perguntou assustado.
Claro que não, né Bruno! O médico disse que não tem
problema! – eu falei e ele riu.
Vou ser um pai chato! – ele disse.
Cuidadoso, é diferente de chato! – eu disse. – Acho que
vou tentar dormir, agora que essa princesa já acalmou. – eu falei sorrindo. –
Boa noite, Bruno.
Ele sorriu e eu subi pro quarto.
No dia seguinte, acordamos cedo pra irmos a consulta do
pré natal!
Quando chegamos ao consultório, a cara da recepcionista
foi a mais engraçada que eu já vi na vida, ela tentava parecer normal, mas
deixava tudo cair e depois ficou tentando disfarçar com o celular pra tirar uma
foto do Bruno.
Eu e ele ríamos disfarçadamente, pra ela não perceber
que percebemos.
A consulta foi tranquila, a bebê estava ótima, os
batimentos ótimos, o peso e tudo, estava muito bem.
Amanda, eu tenho que passar no estúdio, tem algum
problema pra você? – ele perguntou receoso.
Claro que não, aproveito e dou um beijo nos meninos! –
eu disse animada.
Na verdade eu tava morrendo de saudade de tudo aquilo,
do meu trabalho, das nossas tardes, das nossas bagunças, dos meus cafés.
Chegamos no estúdio e senti Bruno um pouco apreensivo,
entramos e então eu finalmente entendi qual era o problema, a Renata estava lá.
Cumprimentei a todos com educação e nem na cara dela
olhei.
Todos vieram me paparicar, pegar na minha barriga, e a
bebê começou a ficar agitada, fazendo todo mundo cair na gargalhada.
Fui ao banheiro, porque já estava ficando difícil
segurar o xixi nesse estágio da gravidez.
Quando voltei parei no meio do corredor porque ouvi
vozes na sala de mixagem.
Eu já disse pra você que não temos nada, Renata! É
difícil pra você entender? – ouvi Bruno falar em tom ameaçador.
Agora que ela voltou, você não precisa mais de mim não
é? Mas quando ela te deu um pé na bunda eu servi pra muita coisa! – Renata
disse chorando.
Renata, entende de uma vez por todas, mulher como você
a gente leva pra cama e depois TCHAU! – ele disse e eu ri, e tinha avisado
sobre aquela vaca.
Você é muito idiota Bruno, como pode acreditar que esse
filho é realmente seu? – ela disse irônica.
AHHHH, MAS AGORA ELA FALOU O QUE NÃO DEVIA.
Entrei como uma louca na sala de mixagem, abri a porta
com tudo e os dois me olharam assustados.
QUERO VER VOCÊ PROVAR QUE O FILHO NÃO É DELE, SUA
VAGABUNDA! – Eu disse gritando e agarrando no cabelo dela.
Bruno tentou me segurar e pediu pra eu parar, mas
estava mais difícil me segurar sem machucar a minha barriga.
Esfreguei a cara dela no chão e quase arranquei metade
dos cabelos dela, quando Dre entrou e me levantou com uma pena.
AMANDA! PÁRA JÁ COM ISSO! – escutei a voz do Bruno
dizendo, enquanto eu me debatia no colo de Dre.
VOCÊ OUVIU O QUE ELA DISSE? QUE O FILHO NÃO É SEU! ELA
É LOUCA OU O QUE? – Eu disse olhando pra ela que estava jogada no chão
chorando.
VOCÊ TÁ GRÁVIDA! JÁ CHEGA! – ele disse com os olhos
arregalados. – Dre, pode levar ela pra fora.
Os meninos já haviam ido embora e só estávamos nós
dentro do estúdio, fiquei sentada esperando, minha filha estava mais do que
agitada na minha barriga e eu me senti culpada por parecer uma barraqueira de
favela grávida brigando por causa de homem, mas o que ela disse mereceu, sem
contar que já fazia muito tempo que eu queria dar na cara dela, isso é um fato!
Logo Dre passou com ela, que quase se enfiou na parede
com medo de mim, e logo depois Bruno saiu sério.
Vamos esperar o Dre, e vamos embora ok? – ele disse sem
olhar pra mim.
Ele ficou sério olhando pra baixo e minha barriga
parecia um baile funk, de tanto que aquela menina rebolava.
Bruno olhou pra minha barriga e colocou a mão,
acariciando.
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