sexta-feira, 4 de maio de 2012

CAPITULO 77


Acordamos quase uma da tarde no dia seguinte, com o celular do Bruno tocando. Sempre aquele maldito celular.
Alô! – Bruno atendeu com a voz muito sonolenta e eu ri.
Cochilei e quando acordei de novo, Bruno estava trocado pegando as chaves do carro.
O que houve? – eu perguntei.
Nada, só vou buscar a Lian, acho que ela está com saudades dos papais dela! – ele disse, mas parecia preocupado.
E porque Ryan não a trouxe? – eu perguntei. – Vou com você!
Não precisa, amor! Em meia hora eu estou de volta! – ele disse, me deu um selinho e saiu.
Mas algo me dizia que Bruno estava mentindo.
Levantei e senti um pouco de dor no corpo e lembrei sorrindo das minhas loucuras e do Bruno na noite anterior.
Fiz minha higiene básica matinal e depois desci pra preparar um café da manhã pros amores da minha vida.
Não demorou muito e Bruno chegou com Lian no colo e Marta atrás dele.
A expressão em seu rosto era preocupada.
Lian estava com as bochechinhas vermelhas e abria e fechava os olhinhos preguiçosamente.
Oi amor da mamãe! – eu disse dando um beijo nela e ela deu um chorinho manhoso.
O que ela tem, Bruno? – eu perguntei, já nervosa.
Um pouco de febre e dor na barriga, mas o médico disse que não é nada demais, coisas normais em bebês, não há motivos pra nos preocupar. – ele disse, mas a expressão dele também era muito preocupada.
E porque você tá com essa cara, assustada? – eu perguntei.
Oras, Amanda! Ela é um bebê e eu não estou acostumado com isso, fiquei assustado! Ou você acha que se minha filha tivesse algo mais grave eu ia estar aqui com ela? – ele disse, irritado.
Desculpa! – eu disse. – É que fiquei assustada! – eu disse abaixando a cabeça.
Eu também to assustado, amor! – ele disse me beijando no rosto.
Me dá ela um pouco? – ele me entregou  e ela estava quente e molinha. – Vou subir com ela um pouco e dar um banho, o médico indicou alguma coisa? – eu perguntei a Bruno.
Não, só o antitérmico, e chá de erva doce! – ele disse e eu assenti.
Prepara um pouquinho e leva pra mim daqui a pouco? – eu perguntei e ele balançou a cabeça afirmativamente.
Subi e com a ajuda de Marta, dei banho em Lian. Ela estava manhosa e quietinha, mas depois que saiu do banho começou a chorar sem parar e eu não sabia o que fazer. Marta pegou ela, mas não adiantou, ela encolhia as perninhas e gritava e meu desespero ia aumentando.
Bruno entrou no quarto com os olhos arregalados.
O que foi? – ele perguntou.
Ela tá chorando desde que saiu do banho, não sei o que é! – Eu disse com os olhos embaçados pelas lágrimas.
Ele pegou ela do meu colo e começou a embalar Lian, como se só existissem os dois naquele mundo, ele falava coisas carinhosas pra ela e andava pra lá e pra cá.
Depois a colocou deitadinha na nossa cama e começou a fazer massagem na barriguinha dela e nas perninhas. Ela já estava muito mais calma, então Bruno deitou com ela na cama e a aconchegou em seu peito e começou a cantar alguma canção desconhecida pra Lian, que foi fechando os olhinhos vagarosamente, até adormecer de verdade.
Fiquei da porta do quarto olhando maravilhada aquela cena e as lágrimas vieram aos meus olhos.
Bruno era o pai perfeito, as vezes até melhor do que eu como mãe. E Lian sentia isso.
É óbvio que ela me amava, mas com Bruno era diferente, era uma conexão que não dava pra explicar.
Ela era tão pequena, mas já o olhava com um amor tão incondicional, que até assustava.
Bruno a ajeitou ali na cama mesmo com cobertores ao redor dela e veio em minha direção.
Tá vendo, era dor de barriga! Com jeitinho a gente consegue! – ele disse piscando. – O médico disse que se ela sentir o nosso nervosismo a deixa insegura! – ele falou e eu assenti.
O que foi? – ele perguntou, levantando o meu queixo.
Nada, só to pensando! – eu disse.
Posso saber em que? – ele perguntou rindo.
Não, você vai rir de mim! – eu disse bicuda e ele riu também.
Prometo que não vou! – ele disse.
É que eu acho que a Lian gosta mais de você do que de mim! – Eu disse envergonhada e ele riu.
Porque, amor? – ele perguntou ainda rindo.
Sei lá, quando ela tá comigo, está tudo bem, mas é só você chegar que ela fica louca, quer ir no seu colo e não quer saber de mais ninguém! – eu disse.
Amor, acho que é porque eu sou palhaço demais e fico mimando ela! Você sabe que filhas são agarradas nos pais e não nas mães! – ele disse, me tranquilizando. – Vem, deixa ela dormir, vamos tomar café, vou pedir pra Martinha cuidar dela.

Íamos nos casar em duas semanas!
É, já haviam se passado mais quatro meses.

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