Acordamos quase uma da tarde no dia seguinte, com o
celular do Bruno tocando. Sempre aquele maldito celular.
Alô! – Bruno atendeu com a voz muito sonolenta e eu ri.
Cochilei e quando acordei de novo, Bruno estava trocado
pegando as chaves do carro.
O que houve? – eu perguntei.
Nada, só vou buscar a Lian, acho que ela está com
saudades dos papais dela! – ele disse, mas parecia preocupado.
E porque Ryan não a trouxe? – eu perguntei. – Vou com
você!
Não precisa, amor! Em meia hora eu estou de volta! –
ele disse, me deu um selinho e saiu.
Mas algo me dizia que Bruno estava mentindo.
Levantei e senti um pouco de dor no corpo e lembrei
sorrindo das minhas loucuras e do Bruno na noite anterior.
Fiz minha higiene básica matinal e depois desci pra
preparar um café da manhã pros amores da minha vida.
Não demorou muito e Bruno chegou com Lian no colo e
Marta atrás dele.
A expressão em seu rosto era preocupada.
Lian estava com as bochechinhas vermelhas e abria e
fechava os olhinhos preguiçosamente.
Oi amor da mamãe! – eu disse dando um beijo nela e ela
deu um chorinho manhoso.
O que ela tem, Bruno? – eu perguntei, já nervosa.
Um pouco de febre e dor na barriga, mas o médico disse
que não é nada demais, coisas normais em bebês, não há motivos pra nos
preocupar. – ele disse, mas a expressão dele também era muito preocupada.
E porque você tá com essa cara, assustada? – eu perguntei.
Oras, Amanda! Ela é um bebê e eu não estou acostumado
com isso, fiquei assustado! Ou você acha que se minha filha tivesse algo mais
grave eu ia estar aqui com ela? – ele disse, irritado.
Desculpa! – eu disse. – É que fiquei assustada! – eu disse
abaixando a cabeça.
Eu também to assustado, amor! – ele disse me beijando
no rosto.
Me dá ela um pouco? – ele me entregou e ela estava quente e molinha. – Vou subir com
ela um pouco e dar um banho, o médico indicou alguma coisa? – eu perguntei a
Bruno.
Não, só o antitérmico, e chá de erva doce! – ele disse
e eu assenti.
Prepara um pouquinho e leva pra mim daqui a pouco? – eu
perguntei e ele balançou a cabeça afirmativamente.
Subi e com a ajuda de Marta, dei banho em Lian. Ela
estava manhosa e quietinha, mas depois que saiu do banho começou a chorar sem
parar e eu não sabia o que fazer. Marta pegou ela, mas não adiantou, ela
encolhia as perninhas e gritava e meu desespero ia aumentando.
Bruno entrou no quarto com os olhos arregalados.
O que foi? – ele perguntou.
Ela tá chorando desde que saiu do banho, não sei o que
é! – Eu disse com os olhos embaçados pelas lágrimas.
Ele pegou ela do meu colo e começou a embalar Lian,
como se só existissem os dois naquele mundo, ele falava coisas carinhosas pra
ela e andava pra lá e pra cá.
Depois a colocou deitadinha na nossa cama e começou a
fazer massagem na barriguinha dela e nas perninhas. Ela já estava muito mais
calma, então Bruno deitou com ela na cama e a aconchegou em seu peito e começou
a cantar alguma canção desconhecida pra Lian, que foi fechando os olhinhos
vagarosamente, até adormecer de verdade.
Fiquei da porta do quarto olhando maravilhada aquela
cena e as lágrimas vieram aos meus olhos.
Bruno era o pai perfeito, as vezes até melhor do que eu
como mãe. E Lian sentia isso.
É óbvio que ela me amava, mas com Bruno era diferente,
era uma conexão que não dava pra explicar.
Ela era tão pequena, mas já o olhava com um amor tão
incondicional, que até assustava.
Bruno a ajeitou ali na cama mesmo com cobertores ao
redor dela e veio em minha direção.
Tá vendo, era dor de barriga! Com jeitinho a gente
consegue! – ele disse piscando. – O médico disse que se ela sentir o nosso
nervosismo a deixa insegura! – ele falou e eu assenti.
O que foi? – ele perguntou, levantando o meu queixo.
Nada, só to pensando! – eu disse.
Posso saber em que? – ele perguntou rindo.
Não, você vai rir de mim! – eu disse bicuda e ele riu
também.
Prometo que não vou! – ele disse.
É que eu acho que a Lian gosta mais de você do que de
mim! – Eu disse envergonhada e ele riu.
Porque, amor? – ele perguntou ainda rindo.
Sei lá, quando ela tá comigo, está tudo bem, mas é só
você chegar que ela fica louca, quer ir no seu colo e não quer saber de mais
ninguém! – eu disse.
Amor, acho que é porque eu sou palhaço demais e fico
mimando ela! Você sabe que filhas são agarradas nos pais e não nas mães! – ele disse,
me tranquilizando. – Vem, deixa ela dormir, vamos tomar café, vou pedir pra
Martinha cuidar dela.
Íamos nos casar em duas semanas!
É, já haviam se passado mais quatro meses.
quero ler mais esta muto bom
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