Droga, porque esse despertador tem que tocar na melhor
hora do meu sono? Porque hein? Deve ser pessoal, não é possível isso!
Levantei de mal humor, oito e meia da manhã. Tenho uma
reunião as nove na gravadora ou no estúdio, sei lá. O Ryan me ligou e eu estava
na balada com a Carol, só peguei o endereço e mais nada, nem sei como chegar
lá, ainda bem que o carro dela tem GPS. Preciso providenciar um carro com
urgência.
Tomei banho correndo, sequei o cabelo, coloquei uma
roupa básica, um tênis qualquer, qualquer não, um All Star, fui pra cozinha e a
Carol tava fazendo café da manhã pra mim.
Bom dia, Yukimi – beijei o rosto dela e ela sorriu pra
mim.
Já vai? – ela perguntou mordendo um pedaço de pão que
roubou da MINHA mão.
Sim, tenho cinco minutos pra chegar lá! To atrasada, o
que acha de eu ligar pro Ryan pra avisar? – Perguntei já sabendo a resposta
dela.
Liga logo, porque senão ele vai achar que você curtiu a
noite toda e se atrasou por isso. – Carol era tão irônica as vezes que me
irritava.
Liguei no celular do Ryan e deu caixa postal, três
tentativas e nada, então deixei pra la. Tomei café rapidinho e saí que nem
louca em direção ao local onde eu tinha que estar as nove da manhã.
Ótimo, esqueci o celular.
Quando entrei percebi que era o estúdio, por ser um
local pequeno, e tinha a cara dos meninos, mesmo não conhecendo eles. A recepcionista
foi muito atenciosa e pediu pra eu entrar na ultima sala a esquerda.
Eu respirei fundo, sei lá porque e fui. E quase caio
morta no chão quando vi a cena. Bruno estava sentado de camiseta regata, boné e
bermuda, dedilhando algo no violão, e quando me viu abriu o maior sorriso do
mundo, eu sorri e olhei pro relógio que estava na parede, estava só quinze
minutos atrasada, mas também percebi que ele estava sozinho.
Bom dia, Amanda – ele levantou e me deu um beijo no
rosto, não pude evitar sentir aquele perfume.
Bom dia. – sorri olhando bem nos olhos dele – Desculpa
o atraso, é que eu não sabia bem onde era o local e...
Não tem problema, eu sei como é, e os meninos também
não chegaram, balada, sabe como é? – e piscou pra mim.
É, ontem a gente saiu, mas eu fui dormir cedo. – eu
disfarcei.
É, vimos vocês mesmo, hoje de manhã, em uma
conveniência. – ele falou rindo e eu devo ter ficado muito mais do que
vermelha, acho que fiquei roxa.
Hum – fiquei sem saber o que dizer, e então ele quebrou
o silencio.
Mas e aí Amanda, o que você tá achando de Los Angeles?
– ele disse acendendo um cigarro e tragando forte.
Muito legal. – eu falei prendendo o cabelo em um coque –
Sinto falta do Brasil, das pessoas, lá todo mundo é mais, como posso dizer?
Mais caloroso, sabe? O abraço é diferente, o olhar, o jeito de falar, o jeito
de ser amigo.
A única amiga que você tem aqui é aquela que foi com
você na audição? – ele perguntou
Sim, a única, mas vale por um milhão. – eu disse
sorrindo.
É muito bom ter amigos verdadeiros, nesse meio é muito
difícil sabe? Tem que ser esperto pra distinguir o que é de verdade e o que é
falso. – ele disse meio ressentido. – Já passei muito por isso, e hoje sei em
quem posso confiar e em quem não posso.
Isso é bem importante. – eu falei.
E olha, vou te dizer algo, eu confio muito em quem
trabalha comigo, e acho que foi por isso que escolhemos você, pois além de ser
uma ótima profissional, não sei porque, você me passou confiança, seu olhar é
bem firme, mesmo que você esteja morrendo de vergonha como agora – ele disse
rindo – seu olhar é verdadeiro.
Eu agradeci e sorri, olhando naqueles enormes olhos
castanhos.
E namorado, já arrumou algum por aqui? – ele disse
malicioso e eu ri.
continua :))
ResponderExcluirOiiii! Hoje voou postar a noite de novo!
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