Depois de doze horas de voo, eu já tinha dormido,
acordado, comido, dormido de novo, e então ouvi a voz da aeromoça avisando que
a viagem estava chegando ao fim.
Aleluia, eu já estava irritada dentro daquele avião com
aquele velho idiota me olhando por doze horas ao meu lado, queria descer, me
espreguiçar, mas principalmente fumar o meu cigarro. Doze horas sem cigarro pra
mim, é como uma vida sem sexo. HAHAHAHA, tá... Essa também não foi boa.
Sei que eu deveria parar e todo aquele blá, blá, blá de
sempre, mas eu gosto, me acalma e me relaxa e ponto.
Coloquei meus óculos escuros, peguei minha mochila e em
pouco tempo já estava fora daquele avião, com milhares de malas num carrinho e
procurando pela placa escrito AMANDA FURLAN – Sim, esse é meu sobrenome.
Não demorou muito pra que eu avistasse a placa e
Caroline, a garota que iria dividir o apartamento comigo, e as despesas também.
Já havia visto várias fotos dela no Facebook, mas ela era muito mais bonita
pessoalmente, e não, não sou homossexual.
Olá – ela me abraçou e me ajudou com as malas – Fez boa
viagem?
Ótima – eu disse tentando esconder meu mau humor pela
vontade de fumar – Um pouco cansada de ficar tanto tempo sentada.
Sim, sei como é! Vamos pegar um táxi até o apartamento,
não é longe, mas não dá pra gente levar tudo sozinha – ela disse, sorrindo.
Já estávamos na rua, e eu maravilhada olhando para todos
os lados, parecendo uma caipira que
havia acabado de sair da roça, e Caroline somente ria.
Você vai adorar isso daqui, é sério. – Ela disse, quase
lendo meus pensamentos.
Já estou adorando. – respondi tirando um cigarro da
bolsa e acendendo, traguei sentindo a cabeça girar, e sorri sozinha.
Outra fumante eu não aguento. – Ela disse, meio rindo e
eu não entendi.
Ah, desculpe, eu não... – ela me interrompeu.
To brincando, também fumo. – Ela deu uma piscada e logo
um táxi parou pra gente.
Já eram quase oito da noite em Los Angeles e eu e Carol
estávamos há horas conversando, eu já havia contado toda minha vida pra ela,
como fui parar em Los Angeles e da maldita inscrição que a Lu fez pra mim.
Você já sabe quando vão te chamar? – Carol perguntou
pra mim, que estava praticamente pendurada na janela do apartamento.
Ainda não, vão responder por email, se é que vão me
responder alguma coisa não é. – eu disse, cética.
Conversamos mais um pouco, mas meus olhos já estavam
fechando sozinhos, eu realmente precisava descansar, me despedi da Carol e fui
deitar no meu quarto novo.
Tudo novo de novo.
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