E de repente senti um medo terrível dentro de mim, medo
de ficar longe de casa e não aguentar a pressão, medo de não conseguir fazer
amigos em um país e em um idioma completamente diferente do meu. Eu falava
inglês fluentemente, graças aos cursos que minha mãe nos obrigou a fazer desde
pequena, então esse seria menos um problema, mas sei lá, senti medo de várias
coisas, mas chegou a hora de desapegar.
Dei uma ultima olhada no meu quarto, apaguei a luz e
fechei a porta. Desci as escadas correndo e escutei meu pai mandando a Luisa ir
me chamar de novo, já eram oito e quarenta, eu realmente estava muito encrencada.
Me despedi da minha cachorra, a Pipoca, dei vários
beijos nela.
Filha, vá se despedir da Maria, ela está aos prantos na
cozinha – disse minha mãe com lágrimas nos olhos.
Maria trabalhava em casa desde que eu tinha seis meses,
ela me conhecia do avesso, até melhor do que a minha mãe se duvidassem.
Maria – disse já com a voz embargada, e pulei nos
braços dela – Vou sentir tanta saudade de você.
Eu também meu amor – ela disse limpando as lágrimas –
Mas olha, muito juízo lá hein?! Nada de ficar se engraçando com aqueles
branquelos e nem nada do tipo, e manda noticia todo dia.
Vou tentar fazer tudo isso – eu disse rindo em meio as
lágrimas – Mas noticias prometo que eu mando todo dia, eu te amo – Abracei ela
mais uma vez e saí dali antes que desistisse dessa porra de viagem.
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