quinta-feira, 22 de março de 2012

CAPITULO 5


Acordei super cedo hoje, não sei o que me deu. Sonhei com a Lu dizendo que tinha algo importante pra me falar. Levantei e fui até a cozinha, fiz um café, olhei no relógio e ainda eram quatro da manhã, e eu tinha ido deitar as duas. Fui numa baladinha com a Carol, coisa básica. Hoje fazem três semanas que eu estou aqui, to gostando e nem to com tanta saudade de casa como eu achava que ia ficar. Peguei minha xícara de café, sentei na janela e acendi um cigarro, traguei, traguei, traguei... E alguma coisa me disse: ABRA SEU EMAIL. Já faziam três dias que eu nem sabia o que era computador, não dava tempo, eu tinha tanta coisa pra fazer, resolver. Levantei e peguei o notebook e comecei a verificar, até que vi um endereço de email diferente: RYAN KEOMAKA.
E quando eu abri quase caí dura.
 “Boa tarde Amanda Furlan”.
Entre muitos vídeos o seu foi selecionado para a audição com os The Smeezingtons que acontecerá amanhã à noite na boate OAK em Las Vegas.
Para confirmar a sua presença nos confirme com um OK neste mesmo endereço de email.
Contamos com você, boa sorte.
Att.
“Ryan Keomaka – Personal Assistant to Bruno Mars and The Smeezingtons.”
PUTAQUEOPARIU, não dá pra acreditar, cara! Eles me chamaram, e eu não conseguia ter mais nenhuma reação.
Respondi o email e voltei pra minha cama, não acreditando ainda, achando que tudo era um sonho e que eu logo iria acordar.

Acordei ouvindo a voz da Caroline me chamando pra tomar café – Amanda, vem logo, já são duas da tarde!
E eu pulei da cama, eu tinha que estar em Las Vegas as sete da noite e não tinha a mínima noção de como se chegava lá, e ainda precisava ligar pra minha irmã e contar o que aconteceu comigo, e também tinha que escolher a roupa e etc, ai meu Deus, vou surtar.
Carol, eles me mandaram o email, tenho uma audição hoje as sete da noite na OAK em Vegas, não tenho a mínima noção de como chegar lá, não tenho roupa, me ajuda, please? – eu disse quase chorando e ela riu da minha cara.
Calma, desespero! Vou te ajudar. – Carol era tão calma que as vezes me irritava, mas se ela disse que ia me ajudar é porque ia, então era melhor eu me calar.

Já eram quase seis da tarde e eu ainda não estava pronta, quer dizer, eu havia colocado um vestido e um salto, coisas que não costumo usar, mas hoje é um dia especial, e a Carol ainda estava com aquela história de me maquiar. Saco mesmo! Eu não deveria reclamar, estou sendo mal agradecida, ela me ajudou o dia todo a escolher uma roupa, um perfume e um sapato, vai me levar de carro a Las Vegas e eu ainda reclamo. Foda viu!
Ouvi o salto dela batendo pelo assoalho da sala – CARACA, você tá linda! – ela sorriu pra mim.
Não mais que você. – ela disse isso com uma cara fofa.
Não quero me olhar no espelho, senão vou desistir de ir, vamos logo! – Eu estava tão insegura, porque eu ia cantar pra ninguém mais, ninguém menos do que o Bruno Mars, Phil Lawrence e Ari Levine. Alguém tem noção de quem são eles?
Sete horas da noite e eu estava entrando pela boate, que estava lotada de gente na portaria, me identifiquei e logo falaram pra mim que a Carol não podia entrar, só depois das audições.
Não te problema amiga, vai lá, arrasa boa sorte, a gente se vê mais tarde, dou um jeito de te achar aí dentro. – Ela me abraçou forte e eu senti como se estivesse abraçando a Luisa, e me deu uma saudade dela.
Entrei, passei por um corredor escuro e no final dele tinha um cara sentado em um banco alto.
Boa noite! – Ele sorriu como se me conhecesse há anos. – Qual seu nome?
Amanda Furlan – Eu disse tentando não gaguejar.
Ele olhou em uma lista de nomes e sorriu.
Assina aqui pra mim. – Me entregou a caneta e o papel. – Sou Ryan Keomaka, boa sorte, os Smeezingtons já vão começar as audições.
Entrei no espaço reservado para as audições e senti meu coração rodopiar de nervoso, tinham praticamente 50 pessoas ali, todos calados, sentados em cadeiras olhando para o palco improvisado que ainda estava escuro. O que eu vim fazer aqui, meu Deus?
Até pensei em voltar, mas depois pensei na minha irmã, na Carol, na minha família e nos meus sonhos e decidi ficar.
Não demorou muito e as luzes se acenderam, e então eu vi: Um moreno alto, com uma boina e com um pandeirinho na mão, um loiro alto, branco olho azul sentou no outro lado e a cadeira do meio ficou vazia.
Meu celular vibrou e eu me assustei, era uma mensagem da Luisa, já era madrugada no Brasil, mas mesmo assim ela estava acordada e me mandou uma mensagem fofa: SORTE MANA!
E eu sorri sozinha, e fiquei relendo aquilo, até que escutei uma voz que fez meu coração parar de bater por um segundo, parecia que eu a conhecia de muitos anos, me assustei comigo mesma, nunca havia tido aquele tipo de reação por ninguém, quanto mais por uma voz. E então eu olhei para o palco, e sei lá, só me deu vontade de sorrir, e muito.

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