terça-feira, 27 de março de 2012

CAPITULO 11


Droga, porque esse despertador tem que tocar na melhor hora do meu sono? Porque hein? Deve ser pessoal, não é possível isso!
Levantei de mal humor, oito e meia da manhã. Tenho uma reunião as nove na gravadora ou no estúdio, sei lá. O Ryan me ligou e eu estava na balada com a Carol, só peguei o endereço e mais nada, nem sei como chegar lá, ainda bem que o carro dela tem GPS. Preciso providenciar um carro com urgência.
Tomei banho correndo, sequei o cabelo, coloquei uma roupa básica, um tênis qualquer, qualquer não, um All Star, fui pra cozinha e a Carol tava fazendo café da manhã pra mim.
Bom dia, Yukimi – beijei o rosto dela e ela sorriu pra mim.
Já vai? – ela perguntou mordendo um pedaço de pão que roubou da MINHA mão.
Sim, tenho cinco minutos pra chegar lá! To atrasada, o que acha de eu ligar pro Ryan pra avisar? – Perguntei já sabendo a resposta dela.
Liga logo, porque senão ele vai achar que você curtiu a noite toda e se atrasou por isso. – Carol era tão irônica as vezes que me irritava.
Liguei no celular do Ryan e deu caixa postal, três tentativas e nada, então deixei pra la. Tomei café rapidinho e saí que nem louca em direção ao local onde eu tinha que estar as nove da manhã.
Ótimo, esqueci o celular.
Quando entrei percebi que era o estúdio, por ser um local pequeno, e tinha a cara dos meninos, mesmo não conhecendo eles. A recepcionista foi muito atenciosa e pediu pra eu entrar na ultima sala a esquerda.
Eu respirei fundo, sei lá porque e fui. E quase caio morta no chão quando vi a cena. Bruno estava sentado de camiseta regata, boné e bermuda, dedilhando algo no violão, e quando me viu abriu o maior sorriso do mundo, eu sorri e olhei pro relógio que estava na parede, estava só quinze minutos atrasada, mas também percebi que ele estava sozinho.
Bom dia, Amanda – ele levantou e me deu um beijo no rosto, não pude evitar sentir aquele perfume.
Bom dia. – sorri olhando bem nos olhos dele – Desculpa o atraso, é que eu não sabia bem onde era o local e...
Não tem problema, eu sei como é, e os meninos também não chegaram, balada, sabe como é? – e piscou pra mim.
É, ontem a gente saiu, mas eu fui dormir cedo. – eu disfarcei.
É, vimos vocês mesmo, hoje de manhã, em uma conveniência. – ele falou rindo e eu devo ter ficado muito mais do que vermelha, acho que fiquei roxa.
Hum – fiquei sem saber o que dizer, e então ele quebrou o silencio.
Mas e aí Amanda, o que você tá achando de Los Angeles? – ele disse acendendo um cigarro e tragando forte.
Muito legal. – eu falei prendendo o cabelo em um coque – Sinto falta do Brasil, das pessoas, lá todo mundo é mais, como posso dizer? Mais caloroso, sabe? O abraço é diferente, o olhar, o jeito de falar, o jeito de ser amigo.
A única amiga que você tem aqui é aquela que foi com você na audição? – ele perguntou
Sim, a única, mas vale por um milhão. – eu disse sorrindo.
É muito bom ter amigos verdadeiros, nesse meio é muito difícil sabe? Tem que ser esperto pra distinguir o que é de verdade e o que é falso. – ele disse meio ressentido. – Já passei muito por isso, e hoje sei em quem posso confiar e em quem não posso.
Isso é bem importante. – eu falei.
E olha, vou te dizer algo, eu confio muito em quem trabalha comigo, e acho que foi por isso que escolhemos você, pois além de ser uma ótima profissional, não sei porque, você me passou confiança, seu olhar é bem firme, mesmo que você esteja morrendo de vergonha como agora – ele disse rindo – seu olhar é verdadeiro.
Eu agradeci e sorri, olhando naqueles enormes olhos castanhos.
E namorado, já arrumou algum por aqui? – ele disse malicioso e eu ri.

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